Bastidores do GUR Parte 2: O Dia em que o Voluntário Entende que a Guerra é Real


        No último artigo, nós destrinchamos os passos iniciais do processo seletivo para a Legião Internacional do GUR. Agora, entramos em uma nova etapa. Você está pronto para essa jornada? Acredite: será mais difícil do que você imagina, mas vai valer a pena. Vamos lá.
      Após o processo de integração — onde é realizada toda a parte burocrática e os exames médicos —, o voluntário (que ainda não é considerado um recruta) aguarda para ser encaminhado a um novo destino.

Nota do Operador: Por questões estritas de OPSEC (Segurança Operacional), não posso divulgar nomes de lugares e nem geolocalização neste artigo.

 A Avaliação Física e a Temida "Pista"

      Neste novo local, começa a etapa de testes físicos. Inicialmente, são testes simples que consistem em:

• Corrida
• Barras fixas
• Apoio (flexões)
• Abdominais

      Não entrarei em detalhes sobre os índices padrão exigidos, pois eles mudam constantemente a cada ciclo de recrutamento. O ponto chave aqui é que esses testes iniciais não são eliminatórios "ainda". Eles servem para os instrutores conhecerem os candidatos e entenderem suas limitações — o que vai ditar o papel de cada um no futuro, caso o voluntário conclua o curso.
       Mas a calmaria dura pouco. Após esses testes simples, vem o verdadeiro choque de resiliência: o que chamamos de "A Pista". É um circuito pesado, que envolve muitos obstáculos, rastejos sob estresse e desafios físicos projetados para levar o corpo e a mente ao limite.


 Choque Cultural: Doutrina, Costumes e o Alfabeto Cirílico

       Finalizados os testes físicos, os voluntários sobreviventes são inseridos na doutrina militar da Ucrânia, absorvendo sua cultura, costumes e idioma.
       O Inglês é fundamental: Saber inglês vai facilitar (e muito) o seu processo dentro do solo ucraniano.
       O diferencial do Ucraniano: Não para por aí. É de extrema importância ao menos tentar compreender o idioma local. Eles utilizam o alfabeto cirílico, então demonstrar esforço para dominar outros idiomas é um diferencial gigantesco que os instrutores observam.             

O Batismo de Realidade: A Sirene Não É um Jogo
A Ucrânia é um belo país, mas é um país em guerra. O território está sofrendo em diversos pontos e, aqui, tudo pode acontecer. Fomos e somos constantemente surpreendidos por ataques de mísseis, drones kamikazes Shaheds e, em áreas de fronteira, os letais drones FPVs.
E por que eu cheguei neste ponto? Porque é durante a doutrina que o voluntário aprende o que realmente vai mantê-lo vivo: obedecer as normas de segurança. Para si mesmo e para com os outros.
     Lá dentro, o voluntário vai entender que precisa levar a sério o soar da sirene. Ele vai compreender que aquele som não é um alarme de simulação; é o aviso de que algo está vindo e que é obrigatório encontrar um abrigo imediatamente.
      Se você quer continuar vivo, é bom seguir exatamente as normas. Mais para frente, aqui no blog, relatarei algumas situações reais que aconteceram onde, infelizmente, perdi amigos... mas por eu ter seguido as normas à risca, eu consegui permanecer vivo para contar essa história.


"No próximo artigo aprofundarei mais as informações, e o que esperar nas próximas fases, estas informações é para ajudar você que quer contribuir nas forças armadas da Ucrânia".

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